sábado, 7 de junho de 2008

presEnte atrasado - 2° parte


"Hoje não!"

Disse-lhe. Eu sabia que nao podia, nao naquele dia, curtir meu universo de azulejos negros, onde eu costumo viajar por mundos distantes, galaxias inexistentes. Era necessario que eu corresse. Começa o ritual. Pia, trono, box, o qual eu quebrei alguns dias atras por razoes ora irrelevantes.Fechei. Estava tudo là: shampoo, condicionador, oleo, lixa,presto, chave-de-fendas, eu. Ao abrir a torneira, mergulhei. Vi peixinhos, algas, corais, polvos, zenzas... Um oceano de cores e espumas, cheiros e laminas, toques e ...Ops. Meu morfema flexional de gênero resolveu derivar-se em grau. Mas ainda nao era hora para comutações. Fechei, sequei, abri, sai.

A roupa estava sobre a cama. Jà estava passada, pronta para ser vestida. Eu ja tinha preparado tudo na noite anterior. Depois de muitos trocas e retrocas, combinações interminaveis, resolvi vestir a blusa rosa. Ela me trazia boas recordações, fazia-me bem. Dei uma ultima olhada. "Serà que o meu presente vai gostar?". MEU PRESENTE. Foi assim que voce se denominou no dia do meu niver. Um presente atrasado. Mas, so um dia. Para mim, uma eternidade.

Arrumado e perfumado eu ja estava. Carteira no bolso, chave na mao, balas de menta...Você pediu para eu nao esquecer... So faltava o caderno e um livro qualquer para que dona Sù nao desconfiasse de nada. "Beijo mae". Desci as escadas com um sorriso fresco no rosto. O tempo parecia se arrastar. Eu sabia que, dali a uma hora, eu me tornaria o cara mais feliz do mundo. Abri a porta. Vi as pessoas que passavam, viviam suas rotinas, caras fechadas. Olhei suas faces e pus-me a imaginar o que passava pela cabeça de cada uma delas. Inutil. Seus pensamentos tracados em si. Elas so pensam nelas, nos seus problemas, nas suas vidas. Mas eu...Estava pensando em você. A porta fechou-se atras de mim."éhh hj". Comecei a ir

...

presente atraZado - 1° parte







Acordei.



Foi a primeira vez que acordei sorrindo em toda minha vida. O brilho dos meus olhos iluminou meu quarto escuro, sem janelas, que mais parece uma tumba fria, ecura, silenciosa. Eu adoro ali ficar pra pensar, chorar, gritar...em fim. Eu pudi ouvir as batidas do meu coração naquele momento e, de repente, vi o teu rosto flutuando nas trevas do teto. Respirei fundo, fechei os olhos, expirei.


Eu nao podia perder nem mais um segundo daquela manha. A tarde me esperava e o tempo corria no meu pulso. Jà era nove horas e havia muito a ser feito. Levantei-me, vesti-me, calcei-me, sai-me. Ao abrir a porta da minha câmara secreta dei de cara com minha mae. O café ja estava pronto. Eu tinha dito-lhe que eu teria uma aula importantissima na qual eu nao poderia chegar atrasado. Ao olhar em seus olhos e pedir sua bencao senti um enorme peso na consciencia. Durou quase um segundo. Eu precisava me apressar.


Entre vitaminas, paes, biscoitos, tvs globinhos estava eu. Na verdade, nem senti os gostos q se multiplicavam na minha cavidade oral, muito menos me recordo do que meus olhos se ocupavam. Eu nao estava la. Ja estava muito longe. Voltei. Meu significante precisava ir tambem. Levantei do sofa, despejei a louça na pia, peguei a toalha de tras da geladeira, tres passos. Entrei no banheiro. Nove e meia.
...






Espelhos



Espelhos
Espelhos não servem.
O que fazem?_______ Apenas refletem!
O que refletem?_______Apenas o que estamos.
Como "o que estamos"?_______Apenas o que estamos, mas não somos.
Por isso são inùteis, mentiros, perniciosos.Torcem a realidade como se pudessem traduzi-la. Mas basta um movimento. Tudo muda.
O que muda?_______Na verdade, o que està.
O que està?_______Sinceramente, nada.
Como "nada"?_______Falsamente eu.
Falsamente, sim. Pois me vejo como quero, não o faço como sou, insidemente. Meu Deus!
Como poderia eu supor que nesta superficie suja de mimesis e poeira algo de profundo pudesse brotar?!
Mas, o que brota?_______Não brota nada.
Como nada?_______Nada, nada.
O que é "nada"?
O nada sou eu.

Plakafor




Nos dois juntos,
nossos corpos tornando-se um numa noite de chuva
em plena praia.
Desvaneço enquanto me beijas eternamente
Morrendo de amor em teus braços
Machuco-te com ternura
Sufoco-te com meus beijos
Amo-te ferozmente
A chuva esconde nossa transpiraçao e o barulho das ondas oculta nossa respiraçao
Mas nem a mais densa escuridão pode esconder o brilho do nosso incêndio voluptuso.
Uma chama ardente e letal queimando sob a chuva.
Saindo de nos
Envolta de nos
A areia funde-de ao nosso corpo uno
A chuva passa
As ondas cessam
Ja não existimos mais.
E tudo começa outra vez.